- Então me dá um toque amanhã, se você não for fazer nada.
ele escreveu no msn.
- Aham... dou sim.
ela respondeu sem firmeza.
- Não senti firmeza nisso.
- Eu não consigo passar muita firmeza.
era verdade.
- Vou lá, amanhã estou te esperando.
- Boa noite, se cuida.
ele saiu do msn.
ela ficou com as mãos na cabeça dentro do quarto escuro, iluminado apenas pela tela, ouvindo na orelha esquerda Chico Buarque e na direita o barulho da chuva que batia no telhado e caia no chão de cimento ao lado da janela. que merda era aquela? porque ela estava deixando aquilo acontecer de novo. ela não ia ligar.
no outro dia, esqueceu.
no outro, o telefone tocou. ela não atendeu.
no outro, o telefone tocou. ela de saco cheio, atendeu.
- Fiquei esperando a sua ligação.
ela percebeu.
- Desculpa, foram dias corridos.
- Estou passando ai na sua casa agora, vou buzinar 2 vezes.
a campainha da casa dela vivia estragada, e não tinha mínima condição de ele tocar a campainha barulhenta ás 11 da noite sem acordar a família que já dormia.
- Eu estou de pijama, descabelada, a gente se vê amanhã.
- Para com isso sua boba, eu não ligo, deve estar linda.
- Não, não estou.
- Tô passando aí.
ele desligou.
ela xingou a mãe dele, levantou, amarrou o cabelo, colocou uma calça e um casaco. maldito seja. foram as duas palavras que escaparam de sua boca quando ela escutou as buzinadas ritmadas em frente ao seu portão.
lá estava ele, o vidro aberto, o carro de portas destrancadas.
- Você esta linda, sua mentirosa.
ele disse sorrindo
- Oi, estava com saudades, tudo bem?
ela perguntou forçando o sorriso. mentindo, talvez!
-Sim, eu também estava com saudades, você anda escorregadia ultimamente, te convidei um monte de vezes pra ir me visitar na casa nova e você sempre desmarcando.
- Pra você ver, é que eu to bem ocupada, esse semestre foi puxado na faculdade e eu comecei a trabalhar, tô enrolada com as coisas.
era verdade.
- Vai ficar aqui até quando?
- Mais uma semana, e você?
- Eu também... mas então, vamos dar uma volta, beber alguma coisa, matar as saudades.
ele deu aquele sorriso.
- Melhor a gente deixar pra outro dia, esta tarde, eu nem avisei meus pais que ia sair.
- Vai ser rápido, eu já te trago de volta.
- Mas...
-Sem mas, vamos lá.
idiota.
ele deu a partida no carro, feliz.
ela virou o rosto e viu as arvores correrem lá fora, enjoada.
ele falava.
ela não ouvia, mas fazia movimentos afirmativos com a cabeça.
- Vamos parar em algum lugar, pra podermos matar as saudades direito, sozinhos.
- Não.
ela passou firmeza.
- Porque?
- Tô cansada, isso não dá certo, a gente sabe.
- Dá certo sim, eu gosto de você.
- Não, nem você, nem os outros.
ela olhou para as árvores paradas, ainda enjoada.
- Como assim nem eu sem os outros?
- A gente fica se enganando, a finge que esta tudo bem, que é só diversão e que lidamos bem com isso... mas não é assim cara, as vezes o jogo acaba!
- Não fala assim amor, você sabe que eu gosto de você, te conheço á um tempão, antes de tudo somos amigos, eu quero o teu bem.
- Então me leva pra casa, senta lá na minha cozinha e vamos tomar um café, você brinca com os meus cachorros e eu lavo a louça... Não é isso que você quer né? Não me ama a ponto de não me tocar.
mais enjoada, mais enjoada, ela se sentia idiota por estar naquele lugar de novo.
- Mas eu gosto de você, por isso preciso te tocar, ficar com você.
- Quero amar sem tocar!
consegue? (...)
domingo, dezembro 25
sábado, dezembro 17
Vá menino.

Vá menino!
Eu já senti você nas mãos.
Agora pode ir, eu também já vou.
Eu já cantei baixinho, eu já chorei, já fiquei acordada, já xinguei, menti, fingi, eu já dei todos os sorrisos que seria capaz de dar, eu já falei demais.
Eu já senti o coração apertar e sumir.
Agora podemos ir.
Eu acho que vou abrir meus olhos, beber outra coisa, falar com outra pessoa, vou mudar de casa, de tênis, de mundo, vou ser alguém pra outro alguém.
Mas não pense que vou matar aquela com quem você viveu por algum tempo... eu só vou deixa-la pra depois... pois quem sabe um dia, apareça outro igual a você, então eu vou poder viver tudo isso de novo.
Mas agora, vá menino, a gente se vê por aí, um dia, quem sabe...
domingo, novembro 6
Me diz não.
Para com isso, eu já me machuquei o bastante.
Dá aquele passo que eu jamais vou ter coragem de dar, toma uma atitude, olha pra mim e diz que você não me quer mais, e que já vivemos o que tínhamos para viver juntos.
Eu nunca consigo te dizer não.
Eu nunca vou conseguir te dizer que não quero mais te ver.
Me deixa viver a minha vida, me deixa conhecer outros olhos, outros sorrisos, outras sensações.
Me livra do peso de ter que me despedir de você.
É só você me ligar, dizer que não vai poder mais vir me encontrar.
Eu nunca consigo te dizer não!
Então olha pra mim, e me diz 'não'. Me diz que não me quer mais, mas não me obrigue a te dizer não.
Dá aquele passo que eu jamais vou ter coragem de dar, toma uma atitude, olha pra mim e diz que você não me quer mais, e que já vivemos o que tínhamos para viver juntos.
Eu nunca consigo te dizer não.
Eu nunca vou conseguir te dizer que não quero mais te ver.
Me deixa viver a minha vida, me deixa conhecer outros olhos, outros sorrisos, outras sensações.
Me livra do peso de ter que me despedir de você.
É só você me ligar, dizer que não vai poder mais vir me encontrar.
Eu nunca consigo te dizer não!
Então olha pra mim, e me diz 'não'. Me diz que não me quer mais, mas não me obrigue a te dizer não.
domingo, outubro 16
sábado, outubro 1
Meu último élo
Me deixa de olhos fechados só mais um pouquinho, é só disso que eu preciso agora.
Não precisa passar as mãos no meu rosto, nem fazer carinho no meu cabelo, só me deixa de olho fechado.
Não me faça enxergar, eu não quero mais.
Só me deixa ficar dentro de mim, e quando for entrar, faça sem me assustar, porque ultimamente está um silencio aqui. Eu precisava mesmo dormir.
Eu só queria sentir os mesmos cheiros, os mesmos gostos, eu não queria nada diferente,só dessa vez, eu queria tudo igual.
Não precisa falar nada, prefiro que não fale, só escute, sinta, me deixa ver no teu olho que eu vou entender.
Não tenho mais visto as pessoas, não tenho mais reconhecido rostos, aos poucos foi tudo se apagando e eu fui vivendo tão pra mim, tão pra dentro, que ninguém mais me tocou.
Somente atue, seja aquele personagem coadjuvante (sempre muito importante) na minha história, não precisa me mostrar a realidade, porque eu tenho vivido muito bem sem ela, apenas esteja ali, alimentando as minhas palavras, me fazendo sentir.
Acho que se você se for, eu perco meu último élo de contato com todo o resto, se você sair sem me acordar amanhã, eu não vou mais acordar.
Não precisa passar as mãos no meu rosto, nem fazer carinho no meu cabelo, só me deixa de olho fechado.
Não me faça enxergar, eu não quero mais.
Só me deixa ficar dentro de mim, e quando for entrar, faça sem me assustar, porque ultimamente está um silencio aqui. Eu precisava mesmo dormir.
Eu só queria sentir os mesmos cheiros, os mesmos gostos, eu não queria nada diferente,só dessa vez, eu queria tudo igual.
Não precisa falar nada, prefiro que não fale, só escute, sinta, me deixa ver no teu olho que eu vou entender.
Não tenho mais visto as pessoas, não tenho mais reconhecido rostos, aos poucos foi tudo se apagando e eu fui vivendo tão pra mim, tão pra dentro, que ninguém mais me tocou.
Somente atue, seja aquele personagem coadjuvante (sempre muito importante) na minha história, não precisa me mostrar a realidade, porque eu tenho vivido muito bem sem ela, apenas esteja ali, alimentando as minhas palavras, me fazendo sentir.
Acho que se você se for, eu perco meu último élo de contato com todo o resto, se você sair sem me acordar amanhã, eu não vou mais acordar.
sábado, setembro 17
fim da página.
Com você eu apaguei um dia. Ignorei o mundo por horas. Transformei meu sol em lua só pra poder enxergar como você é lindo de olhos fechados, de rosto avermelhado, tão quieto, tão meu, tão em mim. Apaguei um dia pra poder entender como você cabe tão perfeitamente no meu peito.
Eu fiquei tão quieta, só pra poder ouvir seu coração acelerado, sua respiração mudar, eu fiquei tão diferente de mim. Eu só fiquei lá, sentindo o tempo passar, sem saber que ele passava, sem saber se queria que ele passasse.
Foi tudo por uma lágrima que eu deixei cair no teu ombro, foi tudo pra poder ficar em você, só pra fazer você entender porque é pra mim que você acaba vindo no fim da página.
sábado, setembro 10
coração na mão
Se o coração não bate mais no peito, ele só pode estar nas mãos. Nas minhas não estão.
Isso sempre vai ser um problema.
sábado, agosto 27
Aquela mancha na parede.
Desculpa se eu atirei aquele copo na parede, e se ela ficou manchada, e se os cacos foram difíceis de tirar do tapete. Mas você tem que me entender, eu não sou só um pedaço de carne.
Lembra aquele dia que eu me gabei dizendo que nunca chorava, por nada?! Desculpa, eu menti.
Eu vi a sua cara de desespero quando eu comecei a chorar, e quando eu comecei a chorar ainda mais depois de você tentar me abraçar... mas você devia entender, qualquer contato com algo que não fosse 'meu' naquele momento, só pioraria a situação.
Não sou boa nesse negócio de ir embora, nunca fui e nunca vou ser.
Eu minto, nem tudo que eu te disse foi verdade. Eu não senti tudo aquilo, e muitas vezes eu fingi não sentir nada.
Me desculpa se eu fiz algum plano, se eu esperei que você ligasse, se eu esperei que você mudasse. É que quando você disse que queria ficar comigo de verdade... eu acreditei.
Eu não queria ser a pessoa que sorri do nada por lembrar de algo que você fez ou disse, eu não queria ser a pessoa que dorme com as pernas em cima de você, eu não queria ser a pessoa que fez o café antes de te obrigar a levantar da cama, que te faz carinho de madrugada, que te abraça com o corpo todo.
A culpa é minha, eu sou idiota, eu só finjo que não espero nada de você, quando na verdade eu me submeti a tudo aquilo por acreditar que daria certo. Mas admita a sua parcela de culpa, foi você que apareceu na minha porta as 3 da manhã dizendo que queria que eu ficasse, que não queria me ver com ninguém... que sentia falta até das coisas que te irritavam em mim.
Vai ficar puto comigo mais uma vez depois que ver que eu continuo com a mesma mania de escrever, vai começar a pensar se aquelas coisas que eu escrevi mês passado foram de verdade, vai sentir ciumes e vai me fazer rir de novo. Vai me chamar de louca, eu vou jogar outro copo na parede. Ai então você vai me ligar no outro dia, e vai pedir eu ir até ai porque a mancha não sai e toda vez que você olha pra parede, lembra de mim. Você sabe que eu sou preguiçosa, um tanto manhosa, indecisa demais, apaixonada demais, por tudo e por todos. Eu me apego a pessoas, a situações, a palavras, músicas... tudo.
Só que dessa vez, quando você me chamar, eu não vou.
Porque eu já estou indo embora, e você não sabe mais me segurar, ou talvez eu já esteja presa á outro lugar. Sei lá, eu só vou ficar longe até as coisas acalmarem.
Pic: http://brianmviveros.com/ vale a pena ver.
sábado, agosto 13
O homem da minha vida
És o homem da minha vida.
Em teus braços que pequena dormi, tú que me seguraste com carinho, cuidado, um pouco de medo, pai de primeira viagem, não vais esmagar a criança que chora a todo momento. Desejaste um menino que eu sei, mamãe já me contou, mas acabei por vir menina, desde que nasci tu percebeste... era mesmo a minha função contrariar-te.

Mas não me contradiga, sei que te conquistei desde a primeira vez que apertei teu dedo com a frágil mãozinha de menina boba, que tinha medo de trovões, de insetos e de ficar só. Medos sem sentido, hoje vejo que você jamais me abandonaria, jamais me deixaria só num banco de praça, dentro do ônibus, ou na porta do bar, naqueles dias em que parávamos para que tu tomasse sua cervejinha, enquanto a menina brincava nas mesas e se entupia de salgadinhos.
Há pai, eu lembro muito bem das noites com o violão, de você cantando, de nós, só nós dois, nós e as cócegas, da mãe que gritava a anunciar que o jantar estava na mesa. E todas as vezes em que eu fiquei mal, em que eu chorei, em que você não dormiu, em que você se preocupou, em que você só pensou em mim.
Pai, a gente cresce, é inevitável.
Sei que não me seguras mais, porém, eu ainda me encaixo bem no teus braços, no teu abraço, e pra esses braços, que eu vou voltar todas as vezes que esse mundo mau me machucar. Pai, eu sei que te causo mil problemas, mil preocupações, mas é a minha função, sou filha!
Ha pai, é tão mais fácil escrever, tão mais fácil que falar ou demonstrar... porque se eu fosse falar, ia me embaralhar, eu sempre me embaralho.
Pai, eu te amo, e você sabe disso, sempre soube, e sempre vai saber.
sábado, agosto 6
Um retrato meu.
Me ensina como faz pra esquecer?
Como faz pra esquecer aquele dia em que você apareceu do nada e bagunçou todos os meus planos?!
E pra esquecer aquela noite em que você me pediu pra ficar?! E todas as outras noites em que eu fiquei?!
E os dias em que você se recusou a me deixar ir?!
Como faz pra esquecer todas as merdas que a gente falou depois de beber demais?!
E aquela noite na qual você apareceu só pra me dar um beijo de despedida?! Eu chorei assim que fechei a porta.
Como faz pra esquecer o gosto de café e cigarro que eu não encontrei em mais ninguém?!
E pra esquecer os momentos em que eu escrevia em você o meu nome só pra te dizer "você é meu, meu nome está em você" e depois rir do meu mais sincero costume infantil?! (eu realmente acreditava naquilo)
E pra esquecer dos dias que te esperei?
Como faz pra esquecer os carinhos que ninguém mais sabe fazer, além de você?!
Pelo amor de Deus menino, você não devia ter feito isso comigo, não devia ter me dado tanto, não pode me tirar tudo o que me deu!
Só me ensina como faz pra não sentir falta.
Como faz pra esquecer teu nome?
Como faz pra esquecer todas as sensações que eu sinto com você, se eu ainda dou risada sem querer quando penso em nós dois?!
Antes de ir, me ensina como faz, ou se não, será obrigado a ficar.
Como faz pra esquecer aquele dia em que você apareceu do nada e bagunçou todos os meus planos?!
E pra esquecer aquela noite em que você me pediu pra ficar?! E todas as outras noites em que eu fiquei?!
E os dias em que você se recusou a me deixar ir?!
Como faz pra esquecer todas as merdas que a gente falou depois de beber demais?!
E aquela noite na qual você apareceu só pra me dar um beijo de despedida?! Eu chorei assim que fechei a porta.
Como faz pra esquecer o gosto de café e cigarro que eu não encontrei em mais ninguém?!
E pra esquecer os momentos em que eu escrevia em você o meu nome só pra te dizer "você é meu, meu nome está em você" e depois rir do meu mais sincero costume infantil?! (eu realmente acreditava naquilo)
E pra esquecer dos dias que te esperei?
Como faz pra esquecer os carinhos que ninguém mais sabe fazer, além de você?!
Pelo amor de Deus menino, você não devia ter feito isso comigo, não devia ter me dado tanto, não pode me tirar tudo o que me deu!
Só me ensina como faz pra não sentir falta.
Como faz pra esquecer teu nome?
Como faz pra esquecer todas as sensações que eu sinto com você, se eu ainda dou risada sem querer quando penso em nós dois?!
Antes de ir, me ensina como faz, ou se não, será obrigado a ficar.
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