domingo, março 11

aleatoriedades.

esqueci das palavras que me martelaram a semana inteira, as palavras que queriam gritar da minha boca enquanto colocava meus fones de ouvido, ou enquanto fingia prestar atenção nas pessoas e internamente lembrava da primeira vez em que ele me ligou no dia seguinte, e da segunda e da terceira assim por diante por muito tempo.


fiquei lembrando de como foi bonito naquela época em que as chuvas e as pessoas não podiam nos atrapalhar, que o caminho mais longo era melhor porque teríamos mais tempo pra rir das pessoas e terminar as cervejas que compramos no posto de gasolina da esquina, aquele perto do ponto de ônibus.


fomos tão nós por tanto tempo que eu até me esqueci. 


mas eu esqueci das palavras que me martelavam a semana toda, não ando boa das memórias mesmo.


ultimamente só tenho lembrado dos olhos claros e do cabelo estranho, da música que me cantou no ouvido e esqueceu da letra, das paredes que contavam história, das sardas na bochecha, no jeito legal de pronunciar o meu nome, do jeito como consegue me confortar, do modo como consegue mexer comigo mesmo quando esta longe, das conversas de madrugada, do CD do Engenheiros do Hawaii, da esquina da casa dos meus pais, dos passeios de madrugada, da conversa na calçada, do assovio ás 1 da madruga... são todos aleatórios!






















são só coisas aleatórias

segunda-feira, fevereiro 20

já faz tempo.

já faz um tempo que é esquecimento.
já faz um tempo que não é música.
já faz um tempo que eu não sonho.

já faz um tempo que não machuca.

eu tinha me esquecido como era não te-lo por perto. Não esperar, não chorar.

eu não morri então.
eu acordei mais uma vez.

eu já tinha me esquecido como era não pensar!

domingo, janeiro 22

sábado.

E ela passou a noite toda dando mole pra um cara que estava mais a fim de pegar o amigo dela do que ela, e teve aquela menina no banheiro que começou a dar moral pra ela, até que era gatinha, pena que ela não estava afim!
Também esperou aquele outro cara com quem ela já saia a algum tempo, mas ele não apareceu... então ela dançou de olho fechado e deixou cair cerveja no cabelo da menina que não parava de rebolar do lado dela... nem dá nada, ninguém estava ligando pra nada mesmo... era uma viajem muito particular de cada um naquele lugar.
De 1:00 da manhã, o relógio pulou para ás 05:00 sem que se passassem nem 3 minutos, cumprimentou o bar-man, velho conhecido com um beijo, pediu água, acabou, pediu uma Coca, um copo descartável e gelo, pagou a ficha amassada a molhada, foi pra casa com os pés doendo!





domingo, dezembro 25

e naquele lugar...

- Então me dá um toque amanhã, se você não for fazer nada.
ele escreveu no msn.
- Aham... dou sim.
ela respondeu sem firmeza.
- Não senti firmeza nisso.
- Eu não consigo passar muita firmeza.
era verdade.
- Vou lá, amanhã estou te esperando.
- Boa noite, se cuida.
ele saiu do msn.
ela ficou com as mãos na cabeça dentro do quarto escuro, iluminado apenas pela tela, ouvindo na orelha esquerda Chico Buarque e na direita o barulho da chuva que batia no telhado e caia no chão de cimento ao lado da janela. que merda era aquela? porque ela estava deixando aquilo acontecer de novo. ela não ia ligar.


no outro dia, esqueceu.


no outro, o telefone tocou. ela não atendeu.


no outro, o telefone tocou. ela de saco cheio, atendeu.
- Fiquei esperando a sua ligação.
ela percebeu.
- Desculpa, foram dias corridos.
- Estou passando ai na sua casa agora, vou buzinar 2 vezes.
a campainha da casa dela vivia estragada, e não tinha mínima condição de ele tocar a campainha barulhenta ás 11 da noite sem acordar a família que já dormia.
- Eu estou de pijama, descabelada, a gente se vê amanhã.
- Para com isso sua boba, eu não ligo, deve estar linda.
- Não, não estou.
- Tô passando aí.
ele desligou.
ela xingou a mãe dele, levantou, amarrou o cabelo, colocou uma calça e um casaco. maldito seja. foram as duas palavras que escaparam de sua boca quando ela escutou as buzinadas ritmadas em frente ao seu portão.
lá estava ele, o vidro aberto, o carro de portas destrancadas.
- Você esta linda, sua mentirosa.
ele disse sorrindo
- Oi, estava com saudades, tudo bem?
ela perguntou forçando o sorriso. mentindo, talvez!
-Sim, eu também estava com saudades, você anda escorregadia ultimamente, te convidei um monte de vezes pra ir me visitar na casa nova e você sempre desmarcando.
- Pra você ver, é que eu to bem ocupada, esse semestre foi puxado na faculdade e eu comecei a trabalhar, tô enrolada com as coisas.
era verdade.
- Vai ficar aqui até quando?
- Mais uma semana, e você?
- Eu também... mas então, vamos dar uma volta, beber alguma coisa, matar as saudades.
ele deu aquele sorriso.
- Melhor a gente deixar pra outro dia, esta tarde, eu nem avisei meus pais que ia sair.
- Vai ser rápido, eu já te trago de volta.
- Mas...
-Sem mas, vamos lá.
idiota.
ele deu a partida no carro, feliz.
ela virou o rosto e viu as arvores correrem lá fora, enjoada.
ele falava.
ela não ouvia, mas fazia movimentos afirmativos com a cabeça.
- Vamos parar em algum lugar, pra podermos matar as saudades direito, sozinhos.
- Não.
ela passou firmeza.
- Porque?
- Tô cansada, isso não dá certo, a gente sabe.
- Dá certo sim, eu gosto de você.
- Não, nem você, nem os outros.
ela olhou para as árvores paradas, ainda enjoada.
- Como assim nem eu sem os outros?
- A gente fica se enganando, a finge que esta tudo bem, que é só diversão e que lidamos bem com isso... mas não é assim cara, as vezes o jogo acaba!
- Não fala assim amor, você sabe que eu gosto de você, te conheço á um tempão, antes de tudo somos amigos, eu quero o teu bem.
- Então me leva pra casa, senta lá na minha cozinha e vamos tomar um café, você brinca com os meus cachorros e eu lavo a louça... Não é isso que você quer né? Não me ama a ponto de não me tocar.
mais enjoada, mais enjoada, ela se sentia idiota por estar naquele lugar de novo.
- Mas eu gosto de você, por isso preciso te tocar, ficar com você.
- Quero amar sem tocar!
consegue? (...)

sábado, dezembro 17

Vá menino.




Vá menino!
Eu já senti você nas mãos.
Agora pode ir, eu também já vou.
Eu já cantei baixinho, eu já chorei, já fiquei acordada, já xinguei, menti, fingi, eu já dei todos os sorrisos que seria capaz de dar, eu já falei demais.
Eu já senti o coração apertar e sumir.
Agora podemos ir.
Eu acho que vou abrir meus olhos, beber outra coisa, falar com outra pessoa, vou mudar de casa, de tênis, de mundo, vou ser alguém pra outro alguém.
Mas não pense que vou matar aquela com quem você viveu por algum tempo... eu só vou deixa-la pra depois... pois quem sabe um dia, apareça outro igual a você, então eu vou poder viver tudo isso de novo.
Mas agora, vá menino, a gente se vê por aí, um dia, quem sabe...

domingo, novembro 6

Me diz não.

Para com isso, eu já me machuquei o bastante.
Dá aquele passo que eu jamais vou ter coragem de dar, toma uma atitude, olha pra mim e diz que você não me quer mais, e que já vivemos o que tínhamos para viver juntos.
Eu nunca consigo te dizer não.
Eu nunca vou conseguir te dizer que não quero mais te ver.
Me deixa viver a minha vida, me deixa conhecer outros olhos, outros sorrisos, outras sensações.
Me livra do peso de ter que me despedir de você.
É só você me ligar, dizer que não vai poder mais vir me encontrar.
Eu nunca consigo te dizer não!
Então olha pra mim, e me diz 'não'. Me diz que não me quer mais, mas não me obrigue a te dizer não.

sábado, outubro 1

Meu último élo

Me deixa de olhos fechados só mais um pouquinho, é só disso que eu preciso agora.
Não precisa passar as mãos no meu rosto, nem fazer carinho no meu cabelo, só me deixa de olho fechado.
Não me faça enxergar, eu não quero mais.
Só me deixa ficar dentro de mim, e quando for entrar, faça sem me assustar, porque ultimamente está um silencio aqui. Eu precisava mesmo dormir.
Eu só queria sentir os mesmos cheiros, os mesmos gostos, eu não queria nada diferente,só dessa vez, eu queria tudo igual.
Não precisa falar nada, prefiro que não fale, só escute, sinta, me deixa ver no teu olho que eu vou entender.
Não tenho mais visto as pessoas, não tenho mais reconhecido rostos, aos poucos foi tudo se apagando e eu fui vivendo tão pra mim, tão pra dentro, que ninguém mais me tocou.
Somente atue, seja aquele personagem coadjuvante (sempre muito importante) na minha história, não precisa me mostrar a realidade, porque eu tenho vivido muito bem sem ela, apenas esteja ali, alimentando as minhas palavras, me fazendo sentir.
Acho que se você se for, eu perco meu último élo de contato com todo o resto, se você sair sem me acordar amanhã, eu não vou mais acordar.


sábado, setembro 17

fim da página.

Com você eu apaguei um dia. Ignorei o mundo por horas. Transformei meu sol em lua só pra poder enxergar como você é lindo de olhos fechados, de rosto avermelhado, tão quieto, tão meu, tão em mim. Apaguei um dia pra poder entender como você cabe tão perfeitamente no meu peito.
Eu fiquei tão quieta, só pra poder ouvir seu coração acelerado, sua respiração mudar, eu fiquei tão diferente de mim. Eu só fiquei lá, sentindo o tempo passar, sem saber que ele passava, sem saber se queria que ele passasse.
Foi tudo por uma lágrima que eu deixei cair no teu ombro, foi tudo pra poder ficar em você, só pra fazer você entender porque é pra mim que você acaba vindo no fim da página.

sábado, setembro 10

coração na mão

Se o coração não bate mais no peito, ele só pode estar nas mãos. Nas minhas não estão.
Isso sempre vai ser um problema.