sábado, setembro 17

fim da página.

Com você eu apaguei um dia. Ignorei o mundo por horas. Transformei meu sol em lua só pra poder enxergar como você é lindo de olhos fechados, de rosto avermelhado, tão quieto, tão meu, tão em mim. Apaguei um dia pra poder entender como você cabe tão perfeitamente no meu peito.
Eu fiquei tão quieta, só pra poder ouvir seu coração acelerado, sua respiração mudar, eu fiquei tão diferente de mim. Eu só fiquei lá, sentindo o tempo passar, sem saber que ele passava, sem saber se queria que ele passasse.
Foi tudo por uma lágrima que eu deixei cair no teu ombro, foi tudo pra poder ficar em você, só pra fazer você entender porque é pra mim que você acaba vindo no fim da página.

sábado, setembro 10

coração na mão

Se o coração não bate mais no peito, ele só pode estar nas mãos. Nas minhas não estão.
Isso sempre vai ser um problema.

sábado, agosto 27

Aquela mancha na parede.

Desculpa se eu atirei aquele copo na parede, e se ela ficou manchada, e se os cacos foram difíceis de tirar do tapete. Mas você tem que me entender, eu não sou só um pedaço de carne.
Lembra aquele dia que eu me gabei dizendo que nunca chorava, por nada?! Desculpa, eu menti.
Eu vi a sua cara de desespero quando eu comecei a chorar, e quando eu comecei a chorar ainda mais depois de você tentar me abraçar... mas você devia entender, qualquer contato com algo que não fosse 'meu' naquele momento, só pioraria a situação.
Não sou boa nesse negócio de ir embora, nunca fui e nunca vou ser.
Eu minto, nem tudo que eu te disse foi verdade. Eu não senti tudo aquilo, e muitas vezes eu fingi não sentir nada.

Me desculpa se eu fiz algum plano, se eu esperei que você ligasse, se eu esperei que você mudasse. É que quando você disse que queria ficar comigo de verdade... eu acreditei.
Eu não queria ser a pessoa que sorri do nada por lembrar de algo que você fez ou disse, eu não queria ser a pessoa que dorme com as pernas em cima de você, eu não queria ser a pessoa que fez o café antes de te obrigar a levantar da cama, que te faz carinho de madrugada, que te abraça com o corpo todo.
A culpa é minha, eu sou idiota, eu só finjo que não espero nada de você, quando na verdade eu me submeti a tudo aquilo por acreditar que daria certo. Mas admita a sua parcela de culpa, foi você que apareceu na minha porta as 3 da manhã dizendo que queria que eu ficasse, que não queria me ver com ninguém... que sentia falta até das coisas que te irritavam em mim.

Vai ficar puto comigo mais uma vez depois que ver que eu continuo com a mesma mania de escrever, vai começar a pensar se aquelas coisas que eu escrevi mês passado foram de verdade, vai sentir ciumes e vai me fazer rir de novo. Vai me chamar de louca, eu vou jogar outro copo na parede. Ai então você vai me ligar no outro dia, e vai pedir eu ir até ai porque a mancha não sai e toda vez que você olha pra parede, lembra de mim. Você sabe que eu sou preguiçosa, um tanto manhosa, indecisa demais, apaixonada demais, por tudo e por todos. Eu me apego a pessoas, a situações, a palavras, músicas... tudo.

Só que dessa vez, quando você me chamar, eu não vou.
Porque eu já estou indo embora, e você não sabe mais me  segurar, ou talvez eu já esteja presa á outro lugar. Sei lá, eu só vou ficar longe até as coisas acalmarem.
                                                                                                                                                                         
                                                                                                                                                  Pic: http://brianmviveros.com/ vale a pena ver.

sábado, agosto 13

O homem da minha vida

És o homem da minha vida.
Em teus braços que pequena dormi, tú que me seguraste com carinho, cuidado, um pouco de medo, pai de primeira viagem, não vais esmagar a criança que chora a todo momento. Desejaste um menino que eu sei, mamãe já me contou, mas acabei por vir menina, desde que nasci tu percebeste... era mesmo a minha função contrariar-te.

Mas não me contradiga, sei que te conquistei desde a primeira vez que apertei teu dedo com a frágil mãozinha de menina boba, que tinha medo de trovões, de insetos e de ficar só. Medos sem sentido, hoje vejo que você jamais me abandonaria, jamais me deixaria só num banco de praça, dentro do ônibus, ou na porta do bar, naqueles dias em que parávamos para que tu tomasse sua cervejinha, enquanto a menina brincava nas mesas e se entupia de salgadinhos.

Há pai, eu lembro muito bem das noites com o violão, de você cantando, de nós, só nós dois, nós e as cócegas, da mãe que gritava a anunciar que o jantar estava na mesa. E todas as vezes em que eu fiquei mal, em que eu chorei, em que você não dormiu, em que você se preocupou, em que você só pensou em mim.
Pai, a gente cresce, é inevitável.
Sei que não me seguras mais, porém, eu ainda me encaixo bem no teus braços, no teu abraço, e pra esses braços, que eu vou voltar todas as vezes que esse mundo mau me machucar. Pai, eu sei que te causo mil problemas, mil preocupações, mas é a minha função, sou filha!
Ha pai, é tão mais fácil escrever, tão mais fácil que falar ou demonstrar... porque se eu fosse falar, ia me embaralhar, eu sempre me embaralho.
Pai, eu te amo, e você sabe disso, sempre soube, e sempre vai saber.

sábado, agosto 6

Um retrato meu.

Me ensina como faz pra esquecer?
Como faz pra esquecer aquele dia em que você apareceu do nada e bagunçou todos os meus planos?!
E pra esquecer aquela noite em que você me pediu pra ficar?! E todas as outras noites em que eu fiquei?!
E os dias em que você se recusou a me deixar ir?!
Como faz pra esquecer todas as merdas que a gente falou depois de beber demais?!
E aquela noite na qual você apareceu só pra me dar um beijo de despedida?! Eu chorei assim que fechei a porta.
Como faz pra esquecer o gosto de café e cigarro que eu não encontrei em mais ninguém?!
E pra esquecer os momentos em que eu escrevia em você o meu nome só pra te dizer "você é meu, meu nome está em você" e depois rir do meu mais sincero costume infantil?! (eu realmente acreditava naquilo)
E pra esquecer dos dias que te esperei?
Como faz pra esquecer os carinhos que ninguém mais sabe fazer, além de você?!
Pelo amor de Deus menino, você não devia ter feito isso comigo, não devia ter me dado tanto, não pode me tirar tudo o que me deu!
Só me ensina como faz pra não sentir falta.
Como faz pra esquecer teu nome?
Como faz pra esquecer todas as sensações que eu sinto com você, se eu ainda dou risada sem querer quando penso em nós dois?!
Antes de ir, me ensina como faz, ou se não, será obrigado a ficar.

sábado, julho 30

Certo. Errado.

Certo.
Então me defina certo
Você me diz: Contrário de errado.
O que é errado?
Não me diga que é o oposto de certo.
É certo matar?
Você me diz: Não.
Mas alguém ferido poderá me dizer: Sim.
Maltratar é certo? Não.
Mas, pra alguém pode ser certo.
E o errado? 
Machucar é errado? 
Talvez?
Certo e errado?
NÃO EXISTE.


Conclusão: Jamais  julgue uma pessoa por atitudes certas ou erradas. Seres individuais tem olhares individuais.

sábado, julho 16

Ela está gamadinha.

Diálogo entre duas amigas: 
apresentando: Amiga idiota que está gamadinha - AI
                      Amiga não compreensiva que quer ir embora do bar - AN

Estavam as duas sentadas, era fim da tarde. Na frente do bar, meio vazio, poucos carros passavam na rua:
AI - Naquela época eu estava meio mal sabe?! As coisas estavam meio foda, parecia que nada estava onde deveria estar, e eu estava sinceramente pensando em voltar pra casa da minha mãe.
AN - E o que aconteceu?
AI - Aconteceu que a gente se encontrou por aí, e eu fiquei com o pé atrás. Ele era meio estranho, e eu tinha prometido para as minhas amigas que não ia sair com ele.
AN - Você saiu, sua cara falar que vai fazer uma coisa e fazer outra.
AI - É, eu fui, daí fodeu.
AN - Como assim?
AI - Ah, eu estava lá, naquele momento frágil, sem saber o que fazer... tava na cara que eu ia me apegar a qualquer coisa que passasse na minha frente, fosse ele um homem, ou um cachorrinho sarnento.
AN - Tá, mas vocês saíram e você não contou nada pra ninguém. E depois?
AI - Depois eu cheguei com o cabelo molhado em casa, e não estava chovendo, então elas me perguntaram onde eu estava. Eu não sei mentir.
AN - Sua vaca, você deu bandeira. 
Elas riram.
AI - Eu sei.
AN - E você se apegou mesmo? Ta gamadinha nele?
AI - Não, não fala assim, eu não tô gamadinha, eu só me apeguei, não consigo não pensar nele, e não consigo não sentir falta!
AN - Você gosta dele néh?
AI - Putz, não fica fazendo essas perguntas, odeio elas.
AN - Você é idiota, isso sim.
AI - Eu sei (...)
AN - Tá, mas e agora? Como ficou? Elas descobriram, você admitiu, e depois?
AI - Depois elas começaram a me encher, elas falam que eu deveria tentar uma pessoa como eu, 'normal', pra variar.
AN- Você, normal?
AI - Ah, você me entendeu, cara normal... tipo, estudante, 22 anos, olhos claros, parou de fumar é 3 meses porque entendeu que fazia mal, só bebe na sexta e no sabado, passa o domingo assistindo filmes, usa camiseta passada e tênis adidas meio sujo, não totalmente sujo, tem carinha de bagunceiro mas na verdade nunca fez nada errado, só tem pinta de marginalzinho!
Elas riram, elas viviam rindo.
AN- Eu não conheço ele, então não posso dar opinião, mas seus olhos brilham um pouco mais quando você fala dele, e quando você menciona o nome dele, sorri sem perceber... sei lá, isso deve ser bom, não é?
AI - Não, isso é péssimo! Como assim fica estampado na minha cara que eu gosto de alguém?! Isso não deveria acontecer.
AN- Já fazia pelo menos 2 anos que eu não te via assim... desde aquele lá, aquele que usava moletom preto, e tava todos os dias naquele bar... qual era mesmo o nome dele?
AI - Não, eu não falo mais o nome dele, dá azar, deixa pra lá.
AN- Boba! Ta gamadinha, se fodeu.
AI - Não enche, eu to aqui te explicando a história e você fica me zoando, eu te odeio, da próxima vez escolho outra amiga pra contar.
AN- Termina logo de contar e vamos pra outro lugar porque aquele cara esta olhando pra cá e se ele vier aqui eu levanto e te deixo sozinha.
AI - Não dá pra terminar, a história não terminou ainda.
AN - Como não terminou ainda?
AI - Nós ainda estamos nos vendo, então não posso dizer que a história terminou, ela esta acontecendo agora!
AN - Mas e dai? Vai ficar com ele... vai parar?
AI - Eu não sei, não faz pergunta difícil.
AN - Você ta gamadinha, não vai dar o fora nele, não vai conseguir mais ficar com ninguem porque ele esta na sua cabeça, e você vai ficar procurando ele em outros caras, ai vai perceber que se não for ele, não vai ser mais ninguém, e eu vou ver a mesma história de novo.
AI - Pare, eu não estou gamadinha, só me apeguei, ele é legal.
AN- Sua idiota, você que pegue esse seu cartão de crédito viadinho, todo colorido, e pague a maldita conta que eu quero ir pra outro lugar.
AI - Não fala assim dele, ele é um bom cartão, ao contrario de você, que é um nojenta.
AN - O dia que você terminar essa sua história nova, eu pago a conta! Prometo.

Então elas foram para outro lugar.



segunda-feira, julho 4

Para aqueles olhos escuros.

Então olhos escuros, porque não sorriu para mim ontem?
Só porque eu fui pra casa mais cedo aquela noite? só porque eu não te espero mais?
Só porque as lagrimas secaram?
Meu querido de olhos escuros, não me olhe assim, você sabe que estou sempre aqui, você sabe que eu sempre volto. Não machuca o meu coraçãozinho com esse olhar atravessado. Vira teu olhar pra mim, olha bem dentro dos olhinhos castanhos que não mudaram, continuam os mesmos.
Se eu não te esperei, foi porque não tenho tempo de esperar. Sei que a culpa é minha, te acostumei mal, sempre te esperei, sempre fui quando gritou, sempre estive perto... mas naquela noite, não. O tempo já tinha passado, e a história já tinha mudado.
Olhos escuros, a história nunca acaba, e você precisa entender, você precisa escolher. Quer sorrir pra mim? Sabes que eu sempre vou sorrir pra ti, mas as vezes tenho que ir embora. Não espere mais que eu esteja sempre ali.
Sabe, são muitas palavras, são muitas histórias, muitos olhos. E apesar disso, olhos escuros, essas palavras são para você! Então não me diga que não te esperei, não me olhe com esses olhos tristes, porque enquanto as palavras forem para você, o sorriso também é teu.
Então olhos escuros, vai sorrir pra mim amanhã?

quinta-feira, junho 23

São todos, ou apenas um!

Um some, e aparece quando meu sono chega só pra me fazer rir, me contar histórias e me obrigar a dormir tarde, nesse eu não toco mais. Só que isso, é detalhe.
Um quer me comprar com carinho, me faz querer estar com ele, e mesmo que eu não queira, me faz pensar no assunto... quem sabe eu queira na semana que vem.
Um me toca com amor, passa os dedos entre os meus cabelos pra me fazer dormir, me acorda com beijos e mesmo me machucando as vezes, sabe que eu vou atender o telefone a qualquer hora.
Um me faz chorar, porque é idiota, e homens idiotas me fazem chorar.
Um vai me dar o mundo de presente assim que eu tiver coragem de esquecer que o resto do mundo existe.
Um me tira o chão, me tira o ar, me dá uma cerveja e as melhores sensações que já tive na vida. E apesar de ele não estar lá quando eu preciso, sempre vai ter um espaço.
Um é pra casar, quer ser o único, quer fechar meus olhos, é tão bonitinho... há se eu pudesse fechar os olhos, casaria com ele.
Um me faz ficar sem graça, e ao mesmo tempo, me faz perder a vergonha.
Um me fez perder o sono, a fome, me deu os piores sentimentos. Mas me ensinou tanto, que não posso nem por um momento pensar em sentir algo ruim em relação a ele. Ainda dou um sorriso nostálgico todas as vezes que nos encontramos, só pelas histórias.
Um me deu uma das coisas mais importantes da minha vida, as palavras, mas nem sonha com isso, está drogado demais para entender qualquer coisa.
Um me faz sentir menina, pega na minha mão e me leva por aí, cuida de mim. Como eu amo isso.
Um me faz sentir mulher, pega na minha mão e me leva pra casa, me bagunça, fala coisas em meus ouvidos... eu ainda escuto a voz todas as noites quando vou dormir.
Um não me fez sentir nada, mas quer fazer, vai fazer.
Um é o primeiro, quer ser o último.
Um diz que me ama, que sente ciumes, me faz perguntas, quer saber se tenho outro cara! Eu sempre digo que não, nunca tenho outro.
Eu poderia escrever sobre todos, mesmo que ele fosse apenas um.

domingo, junho 12

A mulher mais bonita do bar.

Tem gosto de café.
Desperta o meu melhor e o meu pior, me tira e me devolve o sono, esconde o meu sorriso e só me devolve na semana seguinte. Se acha no direito de entrar e sair de mim quando bem entende. Tudo bem, eu aceito tudo isso, com a condição de que suas mãos continuem em minhas pernas enquanto ficamos em silêncio, apenas respirando o ar quentinho, esquecendo de lembrar das coisas importantes.
Me disse que eu era a mulher mais bonita do bar, enquanto eu me pegava bebendo todas as garrafas, rindo alto,  esquecendo o caminho de casa, enquanto tropeçávamos nas pedras soltas da rua (me pego pensando, se na verdade, não eramos nós que andávamos soltos demais).
Segura mais uma vez em meus braços, enquanto eu pego o casaco e não me deixa ir, diz novamente que vamos ficar ali pra sempre, que não vai me deixar levantar, me dê aqueles beijinhos pelo rosto todo na hora em que o sol entrar pela janela, e eu prometo que ficarei para sempre.