Ela nunca teve muita certeza de nada. Era era péssima nesse negócio de afirmar coisas para as pessoas, ela não tinha certeza se estaria aqui no Carnaval, ou se sairia aquele fim de semana. Não tinha certeza se tinha gostado mesmo daquela blusa no manequin, ou daquele short na prateleira.
Se ela não tinha certeza nem de coisas tão banais, tão físicas, como ela poderia ter certeza sobre sentimentos?!
Sentimentos que não podem ser vistos, ouvidos, tocados ou manipulados usando as mãos!
Por um tempo ela teve certeza que estava curada, tinha certeza que ele não mexeria mais com nenhuma célula do corpo dela, e que quando o visse, seria como ver qualquer um dos outros que hoje ela via e não passavam de pessoas normais, figuras do passado.
Hoje, ela tem de novo essa certeza, mais ao achar a foto escondida dos olhos, e da mente, dentro do dicionário, algumas coisas ainda mexeram com ela.
Era impossível ter aquela certeza agora, ela tinha que ter mais um tempo sozinha, mais um tempo para pensar, e apesar de ele não fazer mais parte nem do presente, e nem do futuro dela ... Ela não poderia ter certeza sobre o que sentiria se ele estivesse ali novamente.
segunda-feira, janeiro 11
domingo, janeiro 3
Amour Instantané III
-Você é um merda, isso que você é!
Ela gritava em alto e bom som no meio da calçada em frente á faculdade, alguma pessoas olhavam com caras estranhas e atravessavam a rua para não encontra-los, vai que a briga se desenvolvia e um dos dois envolvidos tirava uma arma do bolso e resolvia atirar, aquilo era cada vez mais comum, pessoas comuns tem armas em casa hoje em dia não é?
-Aquilo foi uma brincadeira, não tem nada de anormal naquilo.
Ele ficava com as bochechas levemente vermelhas em momentos excitantes, ela tinha aquela coloração de vermelho nas bochechas quando brigava ou fazia amor.
-Eu vou sair por ai agarrando o primeiro cara que eu encontrar na minha frente e te dizer que é brincadeira, aposto que você vai rir muito com isso e não vai se importar nem um pouco não é?
-Se for brincadeira, eu não vou ligar.
Ele mentia bem, ela até poderia acreditar nele, mais era impossível, que pessoa em sua sã consciência gostaria de ver o seu 'parceiro' -não, eles não eram namorados, afinal ela tinha prometido que não se envolveria seriamente com ninguem, muito menos com um bicho grilo cabeludo que tocava violão e não trabalhava, como ele- agarrando outra em uma festa, ele estava lá, aos beijos com a nojenta loira peituda, e depois teve a cara de pau de dizer que havia sido só uma aposta entre amigos.
-Você é um idiota.
-Você está com ciumes.
Ele riu alto, como se á condenasse por sentir ciumes, ops, ela não estava com ciume, não mesmo, jamais teria ciumes dele, ela não tinha nada com ele e ele poderia ficar com quem quisesse.
Ela gritou mais alto;
-Eu não sinto ciumes de você, você é um convencido ridiculo.
-Você não precisa ficar triste, eu também sentiria ciúme, mais aquilo foi brincadeira, você não precisa de importar, além do mais outra noite você me disse que eu podia agarrar quem eu quisesse por que você não se importava com nada.
Ele precisava jogar aquilo na cara dela, ela estava com raiva naquele dia, e ele não precisava levar tudo ao pé da letra.
-Tá bom, você venceu, vai lá com a sua loira peituda nojenta e me deixa em paz na companhia do meu ciúme doentio.
Ela saiu andando se equilibrando no meio fio, podia parecer bobagem, mais era uma terapia, andar no meio fio á fazia perder o foco no objeto de sua raiva e se concentrar em não cair, ela ouviu os passos atras dela, eram os passos dele, ela os reconheceria em qualquer lugar;
-Não fique com raiva.
-Eu não estou.
-Você está andando no meio fio, você está com raiva.
Ele á puxou e a beijou, no incio ela ainda tentava empurra-lo, mais para fazer charme do que para empurra-lo de verdade, já que seu orgulho feminino não queria se dar por vencido assim tão fácil, mas ao mesmo tempo, o seu instindo de ser frágil desejava que ele a tocasse.
-Eu só vou beijar você, se você quiser que seja assim.
Ele era mesmo um convencido, ela não precisava dele para nada, não precisava dos beijos dele, ela nem gostava dele, nem um pouco ... bem, talvez um pouco, mais era só porque ele fazia ela rir as vezes;
-Você pode beijar quem quiser.
Ele sorriu e a pegou pela cintura enquanto caminhavam juntos até seu frio apartamento no 8º andar. Mas não a beijou.
Enquanto eles iam, ele pensava em como ela cabeça dura, ele não ficaria só com ela até que ela admitisse verbalmente que queria ele só para ela.
Enquanto eles iam ela pensava em como os homens eram burros, quando eles iam entender que as mulheres diziam tudo ao contrario, ela não queria ele beijando outras, ela queria ele só pra ela, mais nunca admitiria isso verbalmente, ele tinha que ler nas entrelinhas.
terça-feira, dezembro 29
Sinto falta
Olho pela janela, como as árvores passam rápido por mim. Ainda lembro que quando era criança, tinha certeza de que eram elas que corriam ao redor, e não eu que me mexia.
Sinto saudades daquela época que acreditava que o mundo corria pra mim, e não eu que corria para ele.
Sinto falta de sentir medo do Chupa-Cabra, ou do ET de Varginha.
Sinto falta de perguntar para a minha mãe de onde vinham os bebês e ver aquele rosto avermelhar-se e me contar sobre cegonhas que carregavam bebês em seus bicos enormes. Saudades da época em que minha irmã era pequena e eu pedia para segura-lá.
Saudades de sentir ciúmes do meu chocolate, da minha fralda, da minha chupeta, daquele cobertor que estava até rasgado de tão surrado e velho. Sinto falta de brincar com o vizinho de subir nas árvores, de ficar horas no balançador e depois reclamar que estava com dor de cabeça.
Saudades de cair no chão de cimento, ralar o joelho, gritar o nome da minha mãe e depois espernear quando ela ia tirar as pedrinhas do ferimento. Saudades de sentir o beijo que curava todas as dores.
Saudades de amarrar o cabelo no alto da cabeça, calçar sapatos de salto alto e uma blusa 4 vezes maior... Sem falar nas meias dentro do sutiã da mãe, para me achar linda.
Sinto falta de colocar uma almofada debaixo da barriga e fingir que estava grávida daquele menino lindo e encardido de tanto brincar na rua, que eu jurava ser meu príncipe encantado, ser meu amor eterno, e de que hoje não lembro nem o nome.
Saudades de me agarrar ao pescoço do meu pai na entrada da escola, de chorar á cada 1º dia de aula, e chorar ainda mais depois de saber que teria de ir para aquele lugar todos os dias.
Saudade das coisas simples que me faziam feliz.
Saudades de quem eu era.
Sinto saudades daquela época que acreditava que o mundo corria pra mim, e não eu que corria para ele.
Sinto falta de sentir medo do Chupa-Cabra, ou do ET de Varginha.
Sinto falta de perguntar para a minha mãe de onde vinham os bebês e ver aquele rosto avermelhar-se e me contar sobre cegonhas que carregavam bebês em seus bicos enormes. Saudades da época em que minha irmã era pequena e eu pedia para segura-lá.
Saudades de sentir ciúmes do meu chocolate, da minha fralda, da minha chupeta, daquele cobertor que estava até rasgado de tão surrado e velho. Sinto falta de brincar com o vizinho de subir nas árvores, de ficar horas no balançador e depois reclamar que estava com dor de cabeça.
Saudades de cair no chão de cimento, ralar o joelho, gritar o nome da minha mãe e depois espernear quando ela ia tirar as pedrinhas do ferimento. Saudades de sentir o beijo que curava todas as dores.
Saudades de amarrar o cabelo no alto da cabeça, calçar sapatos de salto alto e uma blusa 4 vezes maior... Sem falar nas meias dentro do sutiã da mãe, para me achar linda.
Sinto falta de colocar uma almofada debaixo da barriga e fingir que estava grávida daquele menino lindo e encardido de tanto brincar na rua, que eu jurava ser meu príncipe encantado, ser meu amor eterno, e de que hoje não lembro nem o nome.
Saudades de me agarrar ao pescoço do meu pai na entrada da escola, de chorar á cada 1º dia de aula, e chorar ainda mais depois de saber que teria de ir para aquele lugar todos os dias.
Saudade das coisas simples que me faziam feliz.
Saudades de quem eu era.
Espero
Espero ...
Espero que você realmente se foda, espero que o seu coração seja despedaçado por uma pessoa sem sentimentos que não dê a mínima para essas sua historinhas pra boi dormir.
Espero que a vida seja para você tão dura quanto foi para mim.
Espero que você seja iludido, que te finjam amor, que te façam acreditar que a pessoa certa existe, e que tirem isso de você justamente no momento em que essa seja sua única bóia de salvação.
Espero que você se afogue nesse mar de falsas esperanças.
Espero que você deite na sua cama, e durma pensando em alguém que jamais vai te querer.
Mais confesso que no fundo...
Ainda te espero.
Espero que você realmente se foda, espero que o seu coração seja despedaçado por uma pessoa sem sentimentos que não dê a mínima para essas sua historinhas pra boi dormir.
Espero que a vida seja para você tão dura quanto foi para mim.
Espero que você seja iludido, que te finjam amor, que te façam acreditar que a pessoa certa existe, e que tirem isso de você justamente no momento em que essa seja sua única bóia de salvação.
Espero que você se afogue nesse mar de falsas esperanças.
Espero que você deite na sua cama, e durma pensando em alguém que jamais vai te querer.
Mais confesso que no fundo...
Ainda te espero.
terça-feira, dezembro 22
Estranho papo de amor e morte
Ridiculo o modo submisso como ela se rendia á ele!
Estranhamente viciante essa historia de ter certeza que morreria sem ele, morreria por ele, morreria se ele morresse, morreria de amor...
Pra que AMOR e MORTE?
Eles nem rimam mesmo.
Estranhamente viciante essa historia de ter certeza que morreria sem ele, morreria por ele, morreria se ele morresse, morreria de amor...
Pra que AMOR e MORTE?
Eles nem rimam mesmo.
sexta-feira, dezembro 4
Aindas e porens.
Ainda mudo de idéia como troco de calcinha.
Músicas ainda me influenciam com uma frenquência alucinante.
Livros ainda me animam pela capa mais me desanimam no conteúdo.
Ainda tento ler os clássicos de José de Alencar e Machado de Assis, mais confesso aqui que foram poucos os que me incentivaram até o final.
Ainda mudo a cor do cabelo achando que isso vai me fazer uma pessoa melhor ou pior assim que eu lava-lo.
Ainda pinto a unha em cada decepção que tenho.
Ainda fico na certeza que amo alguém perdidamente, e que eu jamais vou conseguir amar outra pessoa do mesmo jeito. Depois que acaba ainda tenho a certeza que não era amor.
Ainda faço faxina no quarto todas as vezes que alguém me irrita.
Ainda tenho o costume de falar gírias de velho para não xingar ninguém.
Ainda tenho a dúvida entre ser a menina 'cool' que entende de literatura, música e cinema, ou se prefiro a menina moleca que anda na rua de chinelo e meia e que não está nem aí pra essa porra toda que esta acontecendo.
Ainda tenho a duvida se prefiro crescer e ter responsabilidades, ou se prefiro ficar em casa comendo doce e fingindo que o mundo nunca vai cobrar nada de mim.
Ainda olho antigas fotos pensando em como aquilo era bom!
Sinceramente, acho que esses meus poréns e aindas estão longe de acabarem. Acho que pessoas ficam sempre em dúvida em quem ser, o que fazer, que atitudes tomar, que vantagens contar e que podres esconder.
Ainda acho que a vida á cheia de AINDAS.
quinta-feira, novembro 19
Melodia!
Meus dedos passam pelas teclas do computador que para mim são como as do piano.
Componho minha melodia da forma mais simples e direta... com palavras.
Uma folha em branco é meu paraíso, uma folha em branco é um mundo escondido que tem ância por ser descoberto. É uma historia que não foi escrita, é um amor não desvendado, é uma tristeza que se esquece, é uma alegria que se relembra, é um mundo escondido que está a espera de um descobridor.
Não procuro a cura do câncer, ou da AIDS, não quero me gabar por ter descoberto uma nova formula milagrosa que dará a juventude eterna.
Apenas quero descobrir a folha em branco, contar a historia, criar a melodia, viver o que não foi vivido ainda.
terça-feira, novembro 17
Patético

E o amor próprio voltou. A última esperança de que desse certo havia sido jogada no lixo naquele fatídico fim de tarde.
O processo de esquecimento havia começado, era a parte mais dificil da longa historia que ela havia vivido com ele.
Era um vício que tinha de ser deixado, era um sentimento que tinha de ser esquecido, era um pedaço que havia apodrecido e deveria ser arrancado antes que estragasse todo o resto. Não era fácil, nem um pouco fácil.
Resistir ás lembranças era algo que a pegava de surpresa, como controlar a mente quando ela insiste em te lembrar que ele estava lá, e o quanto era bom estar ao lado dele?
Assistir á um filme, caminhar, escutar música, escrever ... se distrair com o que se tudo fazia aquela porra de mente lembrar dele?
Um lenhador imáginário com seu machado imaginário arrancou á fundo aquelas raízes que ele tinha deixado bem fixadas dentro dela ...
Como se isso fosse possível. ela já tinha imaginado isso muitas vezes, logo após olhava para o espelho e dizia, agora ACABOU.
Pena que não conseguimos mentir para nós mesmos.
terça-feira, novembro 3
Personalidade perdida.
Ultimamente ela se dividia em várias personalidades.
Um dia ela era uma, no outro era aquela ...
Não que ela achasse aquilo divertido, mais ela tinha uma pequena crise existencial. Que todo dia a fazia mudar um pouquinho, as vezes pra melhor e outras vezes para pior.
Mais aquilo não á abatia, ela atá gostava de seus 'alter-egos' que eram bons e maus, podendo passar de mocinhas á vilãs em questão de minutos. Era legal brincar com suas personalidades alternativas. Só que uma duvida pairava no ar, quem era ela? vai saber!
Ter tantas em uma só as vezes era complicado. Como se achar entre tantas?!
Ela acabava fazendo confusão, as vezes achava que era uma, depois tinha certeza que era a outra ... Isso quando não achava que 'ela' de verdade tinha enjoado dessa eterna mudança, acabando por deixa-la sozinha com seus personagens. E sem 'Ela' de verdade.
Fazer o que não é?! a gente acaba se acostumando com tudo mesmo"
segunda-feira, novembro 2
Amour Instantané II
'Ele estava lá com o cigarro entre os dedos, sentado em frente a janela, com seu bermudão jeans escuro, os cachinhos de seu cabelo balançavam com o vento e um meio sorriso nos labios.'
Essa era a visão que ela tinha da cama onde estava deitada, eram 4 da manhã, ela tinha acabado dormindo, ele não, pelo jeito estava lá, de frente com seus pensamentos, ela estava evitando se mexer, preferia ficar imóvel aproveitando a cena que tinha o prazer de presenciar, era dificil vê-lo assim tão sereno, não que ele fosse um cara muito agitado, mais era dificil vê-lo assim... daquele jeito 'diferente'.
-Durma mais, está cedo.
-Achei que você nem tinha percebido.
-Sua respiração muda quando está dormindo, você fica mais calma, quando acorda fica mais agitada, é uma mudança sutil, mais já consigo perceber esses detalhes.
Ele era fora do comum, as vezes ela se sentia em um daqueles sonhos surreais que ela costumava ter depois de um belo porre, daqueles que parecem durar a noite toda, mais que duraram apenas 1 minuto.
Ela se levanta calmamente, põe seus pés no tapete fofo e depois no chão gelado a caminho da janela, se senta ao lado dele sem dizer nada, queria ter poderes de ler pensamentos para saber o que se passava naquela cabeça agora.
Seus olhos se encontram e seu sorriso aumenta um pouco mais para o lado direito.
-As vezes os sentimentos tem um poder incrível de mudar o modo como você vê as coisas, como pensa na vida.
Ele tinha o poder de 'sorrir com os olhos'. Fazia tempo que ela não pensava realmente em Sentimentos.
-Pra isso que eles servem, pra fazer aquela odiosa revolução dentro de você, tudo vira uma bagunça quando eles se metem.
-Mais as vezes eles ajudam a arrumar o que era bagunçado, tudo depende do seu ponto de vista do 'antes e depois' dos sentimentos dentro de você.
-Ou eles podem 'arruinar' o que tem dentro de você.
Tudo bem que ela não parecia nem um pouco romantica contestando aquela bela visão de sentimentos que ele tinha, mais ela simplismente não conseguia, ou não queria, ver a parte bela da vida, pelo menos não ainda. Era um pouco cedo demais.
-Novamente a questão do ponto de vista, o sentimento de saudade pode fazer um filho procurar a mãe, o sentimento de culpa pode reatar relações interrompidas pelo tempo, já o sentimento de ódio sim pode acabar com alguem.
-O amor? o que o sentimento de amor faz?
Qual seria a opinião daquele filósofo de araque que ela encontrará a 2 meses num bar teria sobre o amor?
-O amor é o sentimento mais construtivo do universo, pois ele é a base de todas as relações humanas, mais ao mesmo tempo ele é o mais destrutivo, depende do modo como você escolhe usa-lo.
-E nós estamos usando ele agora?
Ela precisava saber.
-Sim, estamos.
Ela não gostava de respostas vagas vindas de um cara que falava o tempo todo, isso a deixava insegura, estava acostumada a ouivir suas intermináveis opiniões que as vezes até a deixavam cansada, mais naquele momento, alguma coisa dentro dela pedia uma explicação mais detalhada do que eles estavam fazendo desde o dia que haviam se conhecido.
-Nosso amor é um meio termo entre o saudável e o doente, seu wisky barato e meus cigarros fedorentos são um contraste com nossos lençois brancos, não que isso seja mesmo verdade, podemos dizer que é uma metáfora entre os nossos lados bons e ruins ... seremos um eterno meio termo.
Ela sorri e volta para cama.
Estava feliz em ser um meio termo.
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